SE PRECISAR FORÇAR, NÃO É DO SEU TAMANHO!

Livia Possidonio      domingo, 30 de abril de 2017

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Quem é que suporta um par de sapatos apertados por muito tempo? E uma roupa que te tira até o fôlego de tão justa?

Quando visualizamos uma calça maravilhosa na vitrine de uma loja, daquelas de cair o queixo, nos apaixonamos e já nos enxergamos dentro dela a ponto de até já prever uma ocasião especial para usá-la, entramos eufóricas na loja, pedimos uma para provar e a vendedora informa que não tem mais o seu número.

 

E você, para não morrer de desgosto, pede um número menor ou maior que o seu, veste, percebe claramente que não caiu bem, óbvio, está apertando até alma ou folgada demais a ponto da beleza ter sumido completamente.

 

Mas, você insiste em levar mesmo assim, e na primeira ocasião que ousa usá-la já se sente super mal, não vê mais toda aquela beleza encantadora que estava estampada na vitrine da loja e nem entende como é que cometeu a “loucura” de comprar uma roupa que não tem o seu número, portanto, não lhe cai bem.

 

Imediatamente você providencia um rumo para o tão bela e perfeita calça que logo é vendida ou doado para uma amiga, ou na insistência de que ela ainda se encaixe em você, encaminha para que costureira tente “dar um jeito”, mas na certeza de que ela jamais terá todo aquele encantamento que você viu a primeira vista.

 


Fica muito claro que quando se trata de sapato e roupa, se precisar forçar é porque não é o seu tamanho e não te serve, não é?
E quando se fala em relacionamentos, você também consegue ter essa clareza?

 

Em determinadas situações dedicamos força e tempo para que algo ou alguém que aparentou “perfeição” a primeira vista se encaixe em nossas vidas e não percebemos que, na verdade, estamos nos machucando sem pensar no quanto as feridas podem ser doloridas.

 

O ato de forçar que o outro goste de você, que queira estar ao seu lado, dividindo momentos, trocando sentimentos bons advém de uma carência emocional, muitas vezes profunda, que faz com que você queira a qualquer custo, que o outro lhe sirva, mesmo quando se mostra óbvio, que jamais servirá!

 

A insistência em entrar e permanecer numa relação onde o outro é o seu avesso resulta em relacionamentos infelizes e disfuncionais, onde você se sente livre para expressar seus pensamentos e sentimentos de frustrações, porque precisa fingir que está tudo bem, pois, no fundo, você sabe que está forçando uma relação e por isso se reclamar provavelmente vai ouvir a temida e famosa frase “você já me conheceu assim, agora quer me mudar?”.

 


É muito comum, neste tipo de relacionamento, que apenas um faça os planos para o futuro, sem comunicar ou consultar a opinião do outro, afinal plano é algo que o outro menos faz com você e mesmo se sentindo sobrecarregado com as responsabilidades, dificilmente a parte que se sobrecarrega comunica seu desconforto ao outro e acaba se “conformando” com seu estado atual.

 

E com a relação ruim, não fazendo nada de concreto para que isto mude e a outra parte, por sua vez, geralmente também nada faz, pois vive em estado de comodidade, é claro que, relacionamentos desse tipo estão fadados ao fim, ou pelo menos, a insatisfação contínua de um ou dos dois!

 

Quando isso acontece o que fica evidente é a baixa autoestima, ou seja, falta de amor próprio o suficiente para entender e aceitar que é necessário deixar ir e se desfazer do que não lhe cabe.

 

“As vezes, não conseguir o que você quer é uma tremenda sorte.” Dalai Lama

Não dá para forçar que o amor brote de onde não há sementes de carinho, afeto e reciprocidade germinadas, tampouco, passar uma vida implorando para que a outra pessoa passe a reconhecer e corresponder ao seu sentimento.

 


Muitas vezes, o outro até sente-se culpado por essa falta de correspondência amorosa e permanece no relacionamento por um misto de sentimento de pena, acompanhado de comodismo.

 

É preciso entender que essa história de amar por dois até o penúltimo capítulo, onde de repente depois de muito sofrimento o outro te olha e diz que sempre te amou, mas demorou para perceber, só existe em novelas e filmes que incentivam a dependência emocional, que mina a autoestima, te coloca para baixo e te faz se anular em prol do outro!

 


Tudo passa a ser uma busca incessante de agradar ao outro, movido pelo medo da rejeição ou troca.

Um relacionamento que aperta e dói te impede de crescer e oprime a sua capacidade de respirar livremente.

 

Ciente disso, é preciso dar o primeiro passo para mudar essa situação.

Encarar os fatos pode não ser nada fácil, cutucar as feridas, muito menos, às vezes parece menos doloroso conviver com elas, passando uma espécie de anestesia mental, para fingir que elas não existem, mas passar uma vida se sujeitando a essa dor, pode ser sentença de morte, sem a tentativa de apelação, e isso não é justo com você!

 

É preciso se olhar com mais amor, ter carinho e compaixão de si, sem contudo, vitimizar-se, para não cair em outra armadilha: a da reclamação e insatisfação sem fim que também não prediz uma vida feliz.

 

Conscientizar-se de que viver com alguém que não te ama é não amar-se também, é o primeiro passo para a mudança necessária, afinal, o seu amor próprio vale muito e aceitar permanecer junto a alguém que não lhe corresponde o amor é abrir mão do amor próprio.

 

O segundo passo, não menos importante, é investir em se autoconhecer, entender nuances da sua personalidade que muitas vezes estão enraizadas em seu subconsciente e como forma de defesa você insiste em não tirá-las de lá acreditando que pode sofrer se encarar a si própria com suas fragilidades e vulnerabilidades.


Entender o que te faz feliz de verdade, quais são as suas qualidades e também os defeitos que talvez queira aprender a melhorar ou não, o importante é reconhecer e saber lidar com cada um deles.

 

 

A partir daí, fica mais fácil entender o que te cai bem nos relacionamentos, sejam eles de amizades, amorosos ou de trabalho, conhecendo-se profundamente, saberá o que combina e o que não lhe cai bem ao relacionar-se com as pessoas.
 
O que quer, o que é tolerável e o que é inaceitável para você, e com certeza entenderá que o que lhe aperta, não lhe cabe, que se precisar forçar, é porque não é do seu tamanho e que não existe amor que dure onde a liberdade é ceifada.
 

Lívia Possidonio

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